QUEM É SÔNIA LANSKY

Sônia Lansky é médica pediatra e epidemiologista da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte desde 1988 e uma militante da saúde pública obstinada. Seu trabalho é exclusivamente dedicado à implementação e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), voltado à saúde das mulheres e crianças, à humanização da assistência ao parto e ao nascimento e direitos sexuais e reprodutivos.

Atua em movimentos de defesa da democracia e luta contra o golpe de 2016 e contra a prisão arbitrária do ex-presidente Lula, em 2018. Foi neste ano que Sônia se filiou ao Partido dos Trabalhadores, como uma ação simbólica de fortalecimento do partido, perseguido pelas suas realizações em favor dos interesses da maioria da população brasileira e da redução das desigualdades sociais.

Sônia integra o Coletivo Alvorada BH e a Tenda da Democracia, participando de diversas ações de mobilização, das caravanas pelo Brasil e da Vigília Lula Livre. Também faz parte do coletivo de bordadeiras de luta Linhas do Horizonte e, atualmente, do Pontos de Luta. Em 2019, fez parte da fundação da Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia. Integra a Frente em Defesa do SUS de Minas Gerais, atua no Movimento BH pelo Parto Normal, na Rede pela Humanização pelo Parto e Nascimento e no Movimento #NasceLeonina e #LeoninaÉNossa, pelo funcionamento da Maternidade Leonina Leonor, que Sônia ajudou a conceber em 2007.

Uma de suas frentes de trabalho de destaque é o Projeto Sentidos do Nascer, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com financiamento do Ministério da Saúde, do CNPq e da Fundação Bill e Melinda Gates. A Sentidos do Nascer é uma iniciativa de mobilização social e garantia de direitos em saúde das gestantes e das crianças. O projeto recebeu o Prêmio INOVASUS do Ministério da Saúde, em 2015, e o Prêmio Laboratório de Inovação da Organização Pan-Americana de Saúde, em 2018.

Sônia considera um marco na sua vida profissional a experiência do Hospital Sofia Feldman, que conheceu em 1999 e, imediatamente, se encantou pelo trabalho lá realizado. A sua atuação na defesa deste hospital marca grande parte de seu ativismo. Considera o Sofia Feldman inspirador por sua perspectiva de trabalho, pautado nas necessidades da mulher e da criança e, também, dos trabalhadoras e trabalhadores, ousando na implementação de práticas inovadoras em saúde.

A atuação nos Centros de Saúde de Belo Horizonte contribuiu para a consolidação da trajetória de militância de Sônia por uma saúde pública acessível e democrática: foi pediatra do Centro de Saúde São Gabriel e do Centro de Saúde Goiânia, na Regional Nordeste de BH. Também foi gerente do Centro de Saúde Santa Lúcia e do Centro de Saúde Aparecida, na Regional Centro-Sul.

Foi gerente da Unidade de Referência Secundária Saudade (PAM Saudade/Baleia), na Regional Leste, onde dirigiu uma equipe de 400 profissionais. Sônia participou também da implementação, composição e coordenação de projetos diversos da Prefeitura de Belo Horizonte na área da saúde da criança e da mulher. Participou da implementação da Atenção Primária de Saúde, do Programa Saúde da Família. Contribuiu na estruturação dos Conselhos Locais de Saúde e na formação e incentivo à participação social no Conselho Municipal.

Sônia coordenou a Comissão Perinatal da Secretaria Municipal de Saúde, os Comitês de Prevenção de Óbitos Materno, Fetal e Infantil e a Comissão Perinatal, até 2017. Um trabalho inovador de representação e participação social, reconhecido nacionalmente e internacionalmente, e inspirador das políticas nacionais, como a Rede Cegonha e os fóruns perinatais no Brasil. Este trabalho recebeu o Prêmio de Gestão Pública e Cidadania da Fundação Getúlio Vargas/BNDES, em 2002; foi destaque como Experiência Internacional de redução da mortalidade infantil pela revista The Lancet, no Child Survival Meeting (2005); e foi premiado na 1ª Expogest/Ministério da Saúde – 2006.

Em 2010, a Comissão Perinatal de BH foi homenageada pela III Conferência Internacional de Humanização do Parto e Nascimento e, em 2011, recebeu o Prêmio Iniciativa Maternidade Segura pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS). Por este trabalho, em 2008, Sônia foi indicada como a Personalidade Médica do Ano em Saúde Pública, pela Associação Médica de Minas Gerais/CRM-MG/Sindicato dos Médicos.

Sônia atuou como consultora do Ministério da Saúde da Área Técnica de Saúde das Mulheres e da Área Técnica de Saúde da Criança, de 2000 a 2016. Neste período, ela coordenou projetos nacionais e conduziu a elaboração das Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto (2017), das Diretrizes Nacionais de Cesariana (2017) e da Política Nacional de Saúde Integral da Criança (2015).

Também contribuiu para a formação sólida de Sônia na defesa da saúde para todos a sua vivência em experiências de saúde materna e infantil em países como Cuba, Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Canadá, França, Inglaterra e Holanda.

Pelo seu ativismo incansável no movimento feminista e pelos direitos das crianças, Sônia foi homenageada pela Pastoral da Criança em 2006, pela Câmara Municipal de Belo Horizonte (2012) e pelo Sindicato dos Professores de Minas Gerais (2013).

Foi considerada Membra Honorária da Associação Brasileira de Enfermagem Obstétrica em 2013 e recebeu o título de “Negra Honorária” pela ONG Geledés durante a Conferência Municipal de Saúde das Mulheres, em 2017.

Mãe de dois filhos, casada, Sônia Lansky é filha de imigrantes poloneses que vieram morar em Belo Horizonte nos anos 1930, fugindo da pobreza do período entre guerras na Europa e da perseguição anti-semita.

Sônia Lansky é formada em Medicina pela UFMG (1986), com residência em Pediatria (1987-1988) e Pediatria Social (1989 ). Especializou-se em Gerência de Unidades de Saúde (1991) e em Epidemiologia em Serviços de Saúde pela Escola de Saúde Pública de Minas Gerais/UFMG/Organização Pan Americana de Saúde – OPAS (1997).

Na sua formação, passou por diversas instituições no Brasil e no exterior, com uma atuação extensa. Destaque, dentre outros, para o mestrado em Saúde Pública e Epidemiologia UFMG (2002) com financiamento pelo Programa de Subvenção de Teses de Pós-graduação, Organização Pan-Americana de Saúde (2000), trabalho que recebeu o Prêmio Ciência e Tecnologia para o SUS do Ministério da Saúde, em 2003.

Tem doutorado em Saúde Pública/Epidemiologia pela UFMG (2006), com estágio de um ano na School of Public Health Harvard University, nos EUA, (2004-2005) e recebeu o Prêmio UFMG de Melhor Tese em Saúde Pública (2007) e Prêmio de Melhor Tese em Saúde Coletiva pela CAPES -Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior/MEC (2007). Tem pós-doutorado pela Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz (2010).

Sônia é professora colaboradora do Mestrado profissional em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina da UFMG.
 É pesquisadora atuante na área de saúde coletiva e epidemiologia, em especial saúde materna e infantil, com diversos artigos publicados em revistas especializadas (periódicos científicos),capítulos de livros e participação em mais de uma centena de congressos nacionais e internacionais.